NOVAS FORMAS x VELHOS MATERIAIS

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Softwares que permitem a criação de formas gestuais não são mais uma novidade no campo da arquitetura.

Muitos premitem a construção do edifício porque traduzem esta geometria em peças possíveis de serem produzidas e cortadas pelas máquinas.

Superfícies curvas como as do museu de Bilbao puderam se viabilizar porque o computador gerou o desenho planificado das chapas metálicas que se encaixaram em perfeita precisão na obra.

Com isso, o projeto se liberta da lógica industrial da repetição e desbrava possibilidades formais ainda não experimentadas.

O problema começa quando nos damos conta que apesar de ser possível gerar uma edificação em que cada peça é diferente da outra, estamos em um momento histórico em que a nossa indústria ainda produz a matéria prima da construção civil com a lógica da repetição.

Fica o dilema: Como compatibilizar as novas formas possíveis pelo design paramétrico com materiais produzidos com esta lógica? Por mais que pensemos que as chapas podem ter cortes personalizados, sempre haverá desperdício de material, pois a "chapa base" terá sempre o mesmo tamanho. Eis a questão!

Estamos em uma época de transição em que é preciso conciliar duas lógicas. Produzir formas suficientemente livres com materiais da Revolução industrial. Alguém conseguiu!

Este vídeo parece ser o caminho desta transição. Até que nossos processos industriais de produção de material também mudem seus paradigmas.

Como pode ser a arquitetura desta transição?

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2 comentários. Faça o seu!:

Everton Teles disse...

A solução tem nome, chama-se indústria.
Embora todo o avanço das últimas decadas, a metalurgia não é explorada em todo o seu potencial pela construção civil. A Indústria metalúrgica dispões de recursos com injeção ( processo pelo qual o metal liquido é injetado numa forma para assimilar sua forma ) forjado ( processo em que o metal é aquecido até adquirir consistência pastosa), e então é decalcado por um molde, ou mesmo usinagem, onde as peças são cortadas ( ou "esculpidas" ) e os resíduos são reaproveitados, sendo fundidos e construídas novas peças para novos trabalhos.
A Arquitetura precisa de um upgrade, o movimento modernista trouxe ganhos astronômicos, o concreto armado e toda a sua potencialidade plástica são indiscutíveis, mas o zeitgeist exije que façamos nossas construções de acordo com o que está sendo vivido em nosso tempo, e, sinceramente não sei se gerar toneladas de residus em construções seja compatível com o discurso de sustentabilidade e toda essa onda verde por um planeta habitável.
Corremos o risco de nos contradizermos, utilizando materiais do inicio da arquitetura moderna em defeza da própria aquitetura, ou seja, um "renascimentismo" que talvez negue os próprios princípios conceituais pregados por teóricos modernistas.
Temos que projetar especificanbdo novos materiais: as ligas metálicas, os aglomerados de madeira, os próprios residuos de construções, os recicláveis ( Papel, plástico, metal ), para que recursos como o do design paramétrico tenha sua aplicação de forma plena, pois a indústria tem a infroestrutura, basta investir e explorar...

Gisele Pinna disse...

Everton. Excelente análise!
Você lembrou de um conceito importantíssimo: Zeitgeist, que para quem não sabe é algo como "o espírito do seu tempo". A arquitetura deve mesmo representá-lo. Estamos em uma época em que a nanotecnologia cria novos materiais a cada dia... e isso deve transformar a arquitetura. E nada menos que nós, arquitetos, é que devemos ser protagonistas dessa mudança por meio de nossos projetos. Perfeito!

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